A Leste do Brigadeiro

     Ir ao Brigadeiro, passear pelo Brigadeiro, perto do Brigadeiro, estrada do Brigadeiro; assim os habitantes das redondezas da serra do Brigadeiro se referem à cadeia de montanhas, extensão da Mantiqueira nos sertões do leste da mata mineira.

     Tomam o nome da maior serra pela totalidade delas. O fato é que, repetindo seus pais e avós, esses moradores a nomeiam com a intimidade de quem é próximo. Afinal, cresceram com aquela menção a lhes orientar os caminhos.

     Como um mosaico, as narrativas de A leste do Brigadeiro traçam, em seu conjunto, um panorama da expansão territorial e do povoamento entre os vales dos rios Muriaé e Manhuaçu, no leste da Zona da Mata mineira, na primeira metade do século XIX.  Expansão e povoamento estes, tardios, comparados com aqueles que aconteceram tanto na região centro –sul quanto no norte da própria Mata, no século anterior.

     A compreensão do momento histórico em que se deu essa ocupação e a identificação dos agentes que o viveram foram possíveis por pesquisa em documentos de época, disponíveis ora em arquivos públicos, ora na web, e em narrativas históricas e acadêmicas.  E o horizonte buscado foi sempre reconhecer o ser humano que esteve ali, dar-lhe certa identidade.  Nesse contexto, a autora traz nomes de mulheres, também pioneiras, cujas referências vão sendo esquecidas. Seus nomes, em geral com complemento de pertencimento cristão, dizem pouco no universo dos nomes de famílias.

     Circunscrita ao início do século XIX e ao espaço mais oriental da Zona da Mata, a narrativa utiliza recurso da micro-história, mas abre seu foco ao processo de formação de toda a Zona da Mata e à história de Minas Gerais.

     Já as peças justapostas desse mosaico são sequenciadas de modo que o leitor se insira no leste da Mata mineira àquela época. Caso lidas de forma dispersa, cada uma delas encerra em si um tópico.   Além de mais, usando a expressão da autora, espera-se que a narrativa seja “ponto de partida” para novas investigações por parte do leitor.                                                                         

     Enfim, lembrando o historiador Liszt Vianna Neto, no prefácio; a obra “nos oferece uma generosa história social da Zona da Mata, com importante contribuição para outras análises acerca da conformação territorial e administrativa da região, acerca das elites - terra-tenentes, clericais, militares - e especialmente acerca das mulheres, dos negros e mestiços da região”.

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A autora

     A autora, Heloisa Azevedo da Costa, é jornalista e Relações Públicas. Também se especializou em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro, campo em que atuou em parte de sua vida profissional.

     Graduou-se ainda em Letras e Literatura pela Universidade Stendhal, Grenoble, França.

     Com pesquisas historiográficas sobre a Zona da Mata mineira, a autora, que já em 2010, com Burgo da Mata, dedicou-se ao surgimento e evolução de uma  cidade da região, publicou em 2016, como tradutora, a obra Um francês no vale do Carangola, de Françoise Massa, pela Editora Crisálida de Belo Horizonte.  

     Agora, em A leste do Brigadeiro, aprofunda seus estudos e tenta resgatar nomes daqueles que primeiro ali chegaram. De forma a instigar o sequenciamento genealógico de inúmeras famílias da Zona da Mata traz um estudo inovador com destaque na ascendência feminina.

     Heloisa Azevedo da Costa é membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. 

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São Francisco do Glória - 12 dezembro 2021